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quarta-feira, junho 24, 2009

IDOSOS SÃO NOVA GERAÇÃO DE INTERNAUTAS

MENSAGEM



Engana-se quem pensa que a melhor distração para as pessoas da terceira idade é a hidroginástica, dança de salão e jogo de xadrez na praça local. O uso dos computadores e o acesso à Internet por esse grupo já começou a roubar o tempo antes gastos nos programas tradicionais.

Os usuários de Internet com 65 anos ou mais já somam 350 mil. Foi o grupo que mais cresceu percentualmente de fevereiro para março (17%), de acordo com o Ibope NetRatings.

A inclusão digital bateu definitivamente na porta da terceira idade, que representa 1,6% dos 22,7 milhões de internautas residenciais no Brasil. “Não parece muito, mas até pouco tempo, eles não eram expressivos no mundo digital. A adesão à banda larga é a explicação para a chegada desse grupo, que não deve parar de crescer”, explica o analista de mídia do Ibope NetRatings.

“Usar a Internet facilitou minha ida a mais lugares do que eu posso ir fisicamente”, diz uma aposentada de 68 anos, que usa cadeira de rodas e não consegue se locomover com facilidade. “Como a cidade não está preparada para cadeirantes, a Internet me permite ver resultado de exames, fazer compras de supermercado e pesquisar endereços com mais agilidade”, relata.

O computador também facilita a comunicação com os parentes que moram longe. Depois que os idosos descobrem que usar a Internet ajuda a economizar na conta de telefone, não querem saber de outra coisa. “Falar com parentes que moram longe pela Internet. Uso a webcam e posso ver como estão todos os parentes e lembramos até na Europa. A tecnologia ajuda a encurtar distâncias e a reduzir as contas de telefone”, comenta a professora aposentada Neuza Fabiano, 64 anos, que vive em Rio Verde, Goiás.

A idade não é um impeditivo na Internet. Pelo contrário, as pessoas com mais idade também estão presentes em comunidades de relacionamento, como é o caso da corretora de imóveis Edna Michiles, 54 anos, usuária do Orkut. “Adoro! Já encontrei várias amigas das antigas e muitas me acharam também. Troco muitas mensagens e estou sempre em contato com as pessoas”, conta.

"Comunicação" é a atividade líder entre os usuários de Internet. Só no ano passado, 89% deles usaram a rede para esse fim. "Lazer" vem em seguida para 88% deles e em terceiro está “Busca de Informações e Serviços Online” com 87% da preferência, de acordo com a pesquisa TIC Domicílios 2007, do NICBr, que entrevistou 7 mil pessoas nos centros urbanos do País.

“Leio diariamente os sites de notícias mais importantes”, diz Neuza Fabiano. A corretora Edna tem mesmo hábito. “Além de me manter informada, a Internet é fundamental para usar serviços do governo eletrônico, que fazem parte do meu trabalho”, conta. Já para Maria Neide, a Web serve para fazer compras. “Compro livros, remédios e faço transações bancárias. Não tenho medo, sei como me proteger. Passo antivírus uma vez por semana e sempre apago os e-mails de pessoas que não conheço”, ensina.

No entanto, para alcançar essa familiaridade com a tecnologia, os idosos tiveram de ultrapassar a barreira do medo. “Não é fácil vencer esse temor. A gente acha que vai estragar ou apagar tudo”, admite Maria Neide, que só conseguiu começar a usar o computador com a ajuda dos filhos. “Eu tenho essa sorte, mas escuto dizer que tem muito filho que não tem paciência”, lamenta.

No caso de Neuza Fabiano, a saída foi fazer um curso. “Um dia tomei coragem e me matriculei. Me senti meio deslocada porque só tinha garotada. Mas segui adiante e hoje sei fazer tudo sozinha.

Quando tenho dúvida recorro ao meu filho ou ate mesmo às netas de cinco e oito anos”, afirma a aposentada, que já ajudou muitas amigas a perderem o medo e virarem “experts em computação".





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terça-feira, junho 23, 2009

IDOSOS: SÃO "UM SACO"?

MENSAGEM-EDIFICAÇÃO



Nossa sociedade pregou na blusa ou no suéter dos idos
os uma etiqueta: "fora de moda, inútil, não serve pra nada".

Por que não protestam? Acaso não merecem um mínimo de gratidão e consideração da nossa parte?

Sem dúvida, a juventude deles ficou muito longe no passado, e já não têm forças para organizarem uma greve ou um golpe de estado. Vêem-se obrigados a se resignar e agüentar, pois não passam de anciãos. Que prêmiozinho, esta palavra!

Se você ler "La Celestina", uma pequena obra espanhola do século XV, vai tropeçar em frases que ao falar sobre a velhice se alternam com o cúmulo do pessimismo, um pessimismo made in século XX.

Aí vão algumas, como exemplo: "ambulatório de enfermidades, asilo de pensamentos, amiga de discórdias, chaga incurável, lenga-lenga depressiva, cajado de apoio, desonra do passado, desassossego do presente, encargo triste do futuro, vizinha da morte".

O autor exagerou um pouquinho, não acha? Parece mais um anúncio de escritório "Pró-eutanásia". Não constituirá maioria os que assim concebem a idade provecta? Pergunte aos seus vizinhos qual é a opinião deles.

Talvez não sejam apenas os seus vizinhos que pensem deste modo. Pululam pelas ruas e pelos bares anciãos contagiados por igual pessimismo.
=
Sim, estou me referindo a idosos que passam os seus dias consumidos de tristeza, sentados em algum banco de parque, ou de praça pública, com a sua bengala na mão, sem fazer nada, terrivelmente solitários.
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Ou desses que consomem seus últimos anos jogando dominó, ou qualquer jogo como o de palitos ou de cartas. Não será a "gripe" do pessimismo a causa de inúmeras enfermidades, achaques e rugas interiores? Seria preciso inventar um "pessimismômetro". E receitar a esses velhinhos uma boa dose de otimismo.

Nossa sociedade pregou na jaqueta deles, ou no seu pullover, uma etiqueta: "fora de moda, inútil, não serve pra nada".

Às vezes não nos conformamos com isso e os despachamos para um asilo, para que não perturbem nem nos molestem mais. "São um fastio", diria o elegante de plantão.

Talvez nos tenhamos esquecido de que Goethe terminou seu segundo "Fausto" aos oitenta e três anos de idade; de que Verdi compôs o seu "Te Deum" aos oitenta e cinco anos; de que Tiziano pintou a "Batalha de Lepanto" aos noventa e cinco; de que o ficcionista Juan Rulfo escreveu sua obra-prima, "Pedro Páramo", aos setenta anos, de que dom Pepe, Jacinto e Ramón e ... tantos outros exemplos.

Aplique umas gotinhas de otimismo às suas considerações sobre a velhice e vai ver que maravilha representa cada ancião e cada anciã para a humanidade.

Até agora você vinha passando ao longe e ao largo deles, sem lhes prestar atenção, sem valorizar a carreata de traços dignos de admiração, gratidão e aplauso que os acompanha no ocaso da vida.

Fixe sua atenção nesses traços, ao menos por uns momentos.

A experiência de vida os enriqueceu, a muitos deles, de sabedoria, de bom senso e de profundidade em seus juízos de valor.

Com o passar dos anos eles se converteram em modelos de fidelidade ao amor, para tantos e tantos matrimônios destruídos ou a ponto de sucumbirem.

O tempo lhes ensinou a não dar tanta importância ao fugaz e passageiro, e a pensar mais na eternidade, na alma, em Deus.

Como assinalou Cabodevilla no seu livro "32 de dezembro": "Há uma porção de coisas muito apreciadas, às quais o tempo acrescenta valor: a prata, os violinos, o couro, as pipas, a madeira, o tabaco, os barris, a amizade".

E a vida do ser humano?

Não nos teríamos equivocado ao despachá-los para um asilo, ao repetirmos uma e outra vez: São "um saco"?






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sábado, junho 20, 2009

O PARADOXO DE NOSSO TEMPO

EDIFICAÇÃO



O paradoxo de nosso tempo na história é que temos edifícios mais altos, mas pavios mais curtos; auto-estradas mais largas, mas pontos de vista mais estreitos; gastamos mais, mas temos menos; nós compramos mais, mas desfrutamos menos.

Temos casas maiores e famílias menores; mais conveniências, mas menos tempo; temos mais graus acadêmicos, mas menos senso; mais conhecimento e menos poder de julgamento; mais proficiência, porém mais problemas; mais medicina, mas menos saúde.

Dirigimos rápido demais, nos irritamos muito facilmente, ficamos acordados até tarde, acordamos cansados demais, raramente paramos para ler um livro, ficamos tempo demais diante da TV e raramente oramos.

Multiplicamos nossas posses, mas reduzimos nossos valores. Falamos demais, amamos raramente e odiamos com muita freqüência. Aprendemos como ganhar a vida, mas não vivemos essa vida. Adicionamos anos à extensão de nossas vidas, mas não vida à extensão de nossos anos.

Já fomos à Lua e dela voltamos, mas temos dificuldade em atravessar a rua e nos encontrarmos com nosso novo vizinho. Conquistamos o espaço exterior, mas não nosso espaço interior. Fizemos coisas maiores, mas não coisas melhores. Limpamos o ar, mas poluimos a alma. Dividimos o átomo, mas não nossos preconceitos. Escrevemos mais, mas aprendemos menos.

Planejamos mais, mas realizamos menos. Aprendemos a correr contra o tempo, mas não a esperar com paciência. Temos maiores rendimentos, mas menor padrão moral. Temos mais comida, mas menos apaziguamento. Construímos mais computadores para armazenar mais informações para produzir mais cópias do que nunca, mas temos menos comunicação. Tivemos avanços na quantidade, mas não em qualidade.

Estes são tempos de refeições rápidas e digestão lenta; de homens altos e caráter baixo; lucros expressivos, mas relacionamentos rasos. Estes são tempos em que se almeja paz mundial, mas perdura a guerra nos lares; temos mais lazer, mas menos diversão; maior variedade de tipos de comida, mas menos nutrição.

São dias de duas fontes de renda, mas de mais divórcios; de residências mais belas, mas lares quebrados. São dias de viagens rápidas, fraldas descartáveis, moralidade também descartável, "ficadas" de uma só noite, corpos acima do peso, e pílulas que fazem de tudo: alegrar, aquietar, matar. É um tempo em que há muito na vitrine e nada no estoque; um tempo em que a tecnologia pode levar-lhe estas palavras e você pode escolher entre fazer alguma diferença, ou simplesmente apertar a tecla DEL.





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sexta-feira, junho 19, 2009

DOADOR DE ÓRGÃOS NÃO ESTAVA MORTO

NOTÍCIAS PELO MUNDO


Trata-se de um caso na fronteira entre vida e morte, e de um tema que suscita reflexão e emoção entre os profissionais da medicina especialmente os especialistas em reanimação e as autoridades que regulamentam a bioética, e os obriga a questionar que critérios objetivos permitem definir a partir de que momento um paciente que foi submetido a tentativas de reanimação pode começar a ser considerado um doador de órgãos sabendo-se que esses órgãos, quando colhidos, permitem prolongar a esperança de vida de outros doentes.

No começo deste ano, em Paris, um homem de 45 anos caiu na rua, e apresentava todos os sintomas de um infarto maciço do miocárdio. Mais tarde, os médicos descobriram que, embora soubesse estar enfrentando uma situação de alto risco cardíaco, o homem não seguia seu tratamento.

A intervenção quase imediata do serviço de assistência médica confirmou o diagnóstico inicial, e os paramédicos iniciaram imediatamente os procedimentos de reanimação, menos de 10 minutos depois do incidente cardíaco sofrido pelo paciente. No entanto, os esforços deles não resultaram em retomada espontânea do batimento cardíaco.

O fato de que estavam próximos ao complexo hospitalar de La Pitié-Salpêtrière, onde seria possível praticar uma dilatação das artérias coronárias da vítima, fez com que os paramédicos decidissem continuar tentando as manobras padronizadas de reanimação do paciente, enquanto o transportavam em alta velocidade rumo ao hospital especializado.

Quando chegaram, o coração do paciente ainda não havia recomeçado a bater e, depois de uma análise rápida da ficha, uma equipe de cardiologistas do hospital concluiu que uma dilatação coronária não poderia ser realizada, por motivos técnicos. Os médicos começaram imediatamente a considerar o paciente como potencial doador de órgãos: um doador classificado como "inativo em termos cardíacos".

O que aconteceu em seguida nesse estranho caso foi relatado em um documento oficial preparado durante uma reunião de um grupo de trabalho que trata das questões morais envolvidas nesse tipo de situação, e que recentemente veio a formar um núcleo sob os auspícios do "espaço ético" da Assistência PúblicaHospitais de Paris (AP-HP), a organização municipal de saúde da capital francesa.

Na reunião, foi descoberto que os cirurgiões que poderiam proceder à coleta de órgãos para possíveis transplantes não estavam imediatamente disponíveis. Quando eles por fim chegaram ao bloco em que o paciente estava internado, encontraram seus colegas ainda envolvidos em massagem cardíaca do paciente, depois de uma hora e meia [!!!] de paralisação do coração e ainda sem resultado aparente.

Mas, no exato momento em que estavam se preparando para iniciar a coleta de órgãos, os médicos descobriram, com imensa surpresa, que o paciente estava apresentando sinais de respiração espontânea, que suas pupilas pareciam ter se reanimado e que ele exibia traços de reação a procedimentos de estímulo doloroso.

Ou seja, para dizer de outra maneira, havia "sinais de vida", um enunciado equivalente a determinar a ausência de sinais clínicos de morte, como afirma o relatório, que prossegue alegando que "depois de diversas semanas de tratamento e de enfrentar uma séria de outras complicações graves, o paciente agora está andando e falando, e os detalhes concernentes ao seu estado neurológico não são conhecidos".

O texto infelizmente não informa se o paciente está ou não ciente de que seus órgãos quase foram colhidos para transplantes.





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Jornal Le Monde - Jean-Yves - França

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