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quinta-feira, fevereiro 03, 2011

FAMÍLIA E ENSINO SUPERIOR

EDUCAÇÃO




Durante o processo de integração no ensino superior, a família revela ter um papel crucial no modo como o jovem adulto percepciona e vivencia os novos contextos de desenvolvimento. Como referem Lopez, Campbell e Watkins (1988, referenciados por Silva & Ferreira, 2009) é reconhecido que a família representa um contexto susceptível de influenciar o desenvolvimento psicológico, social e emocional dos seus membros ao longo do ciclo de vida.

A família constitui-se o primeiro contexto de desenvolvimento e de socialização do indivíduo, influenciando pelas suas características relacionais, de crescimento e de manutenção, o processo de desenvolvimento psicossocial e de socialização do indivíduo.

A transição do estudante para o ensino superior é vista como uma tarefa de desenvolvimento familiar, com exigências ao nível das novas tarefas que todos os membros da família terão que enfrentar no sentido da promoção do funcionamento e do bem-estar do grupo e cada um dos seus membros.

A saída do estudante de casa para uma instituição de ensino superior provoca a necessidade de reorganização de todos os membros da família. Neste período de transição, a função familiar está relacionada com a disponibilidade para apoiar a adaptação ao novo contexto de vida e com a facilitação do processo de separação/individuação.

A autonomia crescente e um maior investimento nas relações interpessoais extras familiares por parte do estudante não pode ocorrer sem os ajustamentos familiares que suportam este desenvolvimento. Durante essa transição, a família, desempenha um papel essencial no que diz respeito à forma como o jovem adulto encara todas essas mudanças.

Os investigadores que têm abordado as questões do desenvolvimento do estudante universitário, segundo as várias perspectivas teóricas, sublinham a necessidade de o estudante possuir e desenvolver competências pessoais e sociais, essenciais de o estabelecimento e desenvolvimento de relacionamentos maturos e autênticos, relevantes para a consolidação da identidade e ajustamento.

Pascarella e Terenzini (1991; 2005) e Astin (1997), valorizam o relacionamento interpessoal com os agentes socializadores, sendo este considerado, por conseguinte, um indicador de ajustamento. Então, para que o estudante universitário se ajuste mais facilmente, deverá ter positivas percepções de si, elemento moderador de comportamentos pró-sociais.

O ambiente familiar afeta a adaptação dos seus elementos a novas situações e vice-versa, sendo estabelecida uma relação recíproca entre estas duas variáveis. As características pessoais, os objetivos de crescimento, as competências, as regras inerentes ao sistema e o bem-estar de cada elemento influenciam a relação do indivíduo com o seu meio. Por outro lado, os acontecimentos que ocorrem fora do clima familiar também interferem neste, nos recursos utilizados pelos membros da família para lidam com situações geradoras de stress.

Uma família coesa determina positivamente o funcionamento do indivíduo, a utilização de adequadas estratégias de coping, a boa percepção em termos de auto conceito e auto confiança e o desenvolvimento ao nível cognitivo e emocional. Um ambiente familiar adequado pode reduzir a ação stressante dos fatores externos e promover o desenvolvimento dos recursos sociais associados aos fatores extra familiares. Por conseguinte, a adaptação do jovem adulto é influenciada pelo funcionamento família.





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