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LEIA A BÍBLIA

sexta-feira, maio 14, 2010

SOMOS INDESCULPÁVEIS

EDIFICAÇÃO






"Portanto, és indesculpável, ó homem, quando julgas, quem quer que seja; porque, no que julgas a outro, a ti mesmo te condenas; pois praticas as próprias coisas que condenas, pois todos pecaram e carecem da glória de Deus.” (Rm 2.1 e 3.23)

Para um tão grande pecador, uma tão grande e maravilhosa graça, graça de Jesus! O tema de hoje nos leva a reconhecer as consequências da Queda: Depravação total e falta de forças para autoajuda, sem a ajuda do Alto. Somos o que somos pela Graça de Deus, quando regenerados; e somos o que somos sem a Graça de Deus, em virtude da nossa natureza carnal, adâmica, terrena e pervertida. A única saída é a da Graça, o único caminho é Cristo.

Estamos aprendendo de fonte limpa que “a sabedoria integral está no conhecimento de Deus e do homem” – Conhece-te a ti mesmo e busca a Deus e a Sua Palavra: não existe outra saída.


CONHECE-TE A TI MESMO.
Não é sem motivo que o antigo sábio provérbio, “conhece-te a ti mesmo”, seja tão recomendado ao homem. Temos a tendência natural de nos justificar e de acusar ou censurar os outros. Uma fábula muito antiga diz que Júpiter, o pai dos deuses da mitologia greco-romana, colocou sobre os ombros dos mortais duas aljavas: a primeira, em nossa frente, bem em cima do nosso peito e debaixo dos nossos olhos, cheia dos defeitos alheios; a outra, nas nossas costas, cheia dos nossos próprios defeitos. É por isso que quando alguém erra, somos logo os censuradores dele.

O desconhecimento de nós mesmos é muito prejudicial. Quando buscamos a afirmação pessoal nas observações dos outros, gostamos da lisonja, só que elas são em extremo perigosas. Não devemos andar pela cabeça dos outros, é preciso pensar com a própria cabeça.

Ao examinarmo-nos a nós mesmos devemos ter uma autoestima equilibrada: saber do que somos capazes e estar conscientes das nossas limitações. Quem não se ama, não está em condições de amar a mais ninguém. Afinal a Bíblia é clara: “Amarás o teu próximo, como a ti mesmo.” Todavia, devemos evitar toda presunção de virtude pessoal, esvaziarmo-nos de nós próprios para sermos cheios do Espírito Santo e de sabedoria do Alto. Aí e só então chegar perto “do bem sentir e do bem fazer.”


CUIDADO COM A LÍNGUA LISONJEIRA!
Conscientes das consequências da Queda e da “depravação total” do se humano seremos mais humildes, dependeremos mais da Graça de Deus e nos tornaremos imunes aos que querem nos passar mel na boca com palavras doces e lisonjas, ainda que gostemos disso. A fome por lisonjas causa seus estragos e tem consequências. Diz Calvino, “Os seres humanos têm um amor desordenado e cego por si mesmos. São tão inclinados a gabar-se, que não há nada que possa agradar mais do que quando os afagam com vãs lisonjas.” Talvez seja por isso que aquele que mais exalta a excelência da natureza humana do outro – com lisonja ou massageando o ego do outro, o bajulador, para não usar um termo mais forte – aparentemente é o que se dá bem.

DE QUE SE ORGULHA O SER HUMANO?
A verdadeira sabedoria, a de Deus, que vem do Alto, é boa, pacífica e ordeira. O conhecimento de Deus, o conhecimento do homem com seu potencial, mas também com suas fraquezas e limitações e o livre arbítrio são caminhos para a sabedoria integral.

João Calvino, nas Institutas, Livro I, Capítulo II, pág. 82, afirma: “O homem se conhece muito bem quando, confiante em seu entendimento e em sua virtude e poder, anima-se a dedicar-se ao cumprimento do seu dever, e, renunciando a todos os seus vícios e más disposições, esforça-se para fazer o que é bom e honesto.” E isto é ser ético, e ética é um princípio inegociável e que não pode ter fim.

Nada temos que não tenhamos recebido de alguém, em algum tempo e lugar: somos um produto inacabado, resultante das influências positivas e negativas sobre nós exercidas desde sempre. Não temos de que nos orgulhar, pelo contrário. Em primeiro lugar, devemos considerar o fim para o qual fomos criados por Deus e dotados de dons singulares. Em segundo plano, mas não menos importante, reconhecer a nossa indigência. A nossa condição primeira é a de criaturas. Conhecemos o bem e o mal, mas nem sempre sabemos optar pelo bem. Consequência da nossa desobediência a Deus e pelo fato de ter dado ouvidos à serpente e não a Deus. Herdamos uma natureza carnal, adâmica, terrena e pecaminosa. É uma herança maldita cultural e humana dos nossos pais. Diz Calvino, “tendo sido (a nossa natureza humana) maculada pelo pecado, essa infecção tenha se propagado sobre todos nós... o princípio da corrupção esteve de tal modo em Adão que ela se expandiu como que por uma torrente perpétua dos pais aos filhos.” (Pág. 87)

Todo novo ser humano que nasce já vem com defeito de fábrica. Em linha com o que o Espírito Santo nos diz no Salmo 51, na oração pessoal de confissão de pecados, feita por Davi: “Eu nasci na iniquidade, e em pecado me concebeu minha mãe.” (Sl 51.5)


O QUE VEM A SER PECADO DE ORIGEM OU PECADO ORIGINAL?
O conceito está ligado à natureza adâmica, carnal e pecaminosa. Trazemos em nós as marcas do primeiro Adão, ser vivente; e precisamos trazer também as marcas do Senhor Jesus, na certeza que fomos batizados e inseridos nele, no seu Corpo, a Igreja. Ele é o segundo Adão, feito espírito vivificante e restaurador. É por isso mesmo que a Bíblia ensina e a Igreja crê e professa: “E, assim, se alguém está em Cristo, é nova criatura (nova criação); as coisas antigas já passaram; eis que se fizeram novas.” (II Co 5.17).

“O pecado original é uma corrupção e perversidade na nossa natureza, que nos faz culpados, primeiramente, da ira de Deus, tendo a seguir produzido em nós as obras que a Escritura chama “obras da carne.” (Rm 5.6 e 7; e Gl 5. 19 a 21) Definição do Grande Reformador João Calvino, Institutas, Vol. I, Pág. 87)


CONCEITUAÇÃO DE “LIVRE ARBÍTRIO”
Em linha com Matthieu Verneuil, Jean Bourdell, Pierre Bourdon e André de Lafon, Huguenotes-calvinistas, leigos – subscritores da “Confessio Fluminensis”, a Confissão de Fé dos Mártires da Baía de Guanabara, que afirmaram ter sido “o livre arbítrio” prerrogativa dos nossos primeiros pais, antes da Queda, na idade da inocência da humanidade. Com a Queda e à luz da Depravação Total do ser humano, perdeu-se o livre arbítrio. Jesus mesmo ensinou: “Todo o que comete pecado é escravo do pecado.” Rm 8.34 B. O texto de Efésios 2.1 também confirma a perda do Livre arbítrio pelo não regenerado: “Ele vos deu vida, estando vós mortos nos vossos delitos e pecados.” Morto não fala, não escolhe, não decide; não tem livre arbítrio, é escravo do pecado.

O regenerado reconquista o livre arbítrio porque nasceu de novo, foi libertado por Jesus Cristo. Em João 8.36 ele declara: “Se, pois o Filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres.”

Os Huguenotes, na Confessio Fluminensis”, Artigo X, disseram: “Quanto ao livre arbítrio, cremos que, se o primeiro homem, criado à imagem de Deus, teve liberdade e vontade, tanto para o bem como para o mal, só ele conheceu o que era livre arbítrio, estando em sua integridade. Ora, ele nem apenas guardou este dom de Deus, assim como dele foi privado por seu pecado, e todos os que descendem dele, de sorte que nenhum da semente de Adão tem uma centelha do bem.

Por esta causa, diz Paulo, “o homem natural não entende as coisas que são de Deus.” E Oséias clama aos filhos de Israel: “Tua perdição é de ti, ó Israel”. Ora isto entendemos do homem que não é regenerado pelo Santo Espírito.

Quanto ao homem cristão, batizado no sangue de Jesus Cristo, o qual caminha em novidade de vida, nosso Senhor Jesus Cristo restitui nele o livre arbítrio e reforma a vontade para todas as boas obras, não todavia em perfeição, porque a execução de boa vontade não está em seu poder, mas vem de Deus, como amplamente este santo apóstolo declara, no sétimo capítulo aos Romanos, dizendo: “Tenho o querer, mas em mim não acho o realizar”.

O homem predestinado para a vida eterna, embora peque por fragilidade humana, todavia não pode cair em impenitência. A este propósito, João diz que ele não peca, porque a unção permanece nele.”

Orígenes, um dos Pais da Igreja, definiu assim: “o livre arbítrio é uma faculdade da razão pela qual se pode discernir o bem e o mal, e da vontade, pela qual se pode escolher um ou o outro.” Já Agostinho, bispo de Hipona e também um dos Pais da Igreja, assim se expressa: “É uma faculdade da razão e da vontade pelo qual se escolhe o bem, quando se tem a assistência da graça de Deus; ou o mal, quando não se tem essa assistência.”

Amados irmãos, “Somos indesculpáveis” por todos os títulos, principalmente, nós os regenerados, porque a Palavra é clara, quando diz: “Pois todos pecaram e carecem da glória de Deus.” Guarde este estudo dentro de sua Bíblia.
Em oração.











Diác. Rilvan Stutz - Membro Catedral
Rev. Guilhermino Cunha - Catedral
Catedral Presbiteriana do Rio de Janeiro