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quinta-feira, setembro 20, 2012

A GÍRIA NA SOCIEDADE


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Quando se fala em gíria a primeira coisa que muitas pessoas pensam é que gíria é coisa de jovens e que é passageira, da idade, e que assim que eles “crescerem” e se tornarem adultos vão parar de usar gírias e “aprender a falar como gente normal”. 

 Esse tipo de critica ou comentário vem dos pais, professores ou pessoas que estão em contato com jovens e vêem essa manifestação lingüística conhecida como gíria de forma preconceituosa. 

O jovem ou adolescente que usa gírias às vezes é visto como alguém que não se preocupa com a “língua correta” ou então que faz questão de falar “errado” só para frustrar os adultos. 

O que essas pessoas que criticam os jovens por usarem gírias não se lembram é que no tempo em que eram jovens eles também usavam gírias. Com certeza não eram as mesmas que os jovens de hoje usam, mas mesmo assim eles usavam e alguns ainda continuam usando. 

Qualquer adolescente que tenha um pai ou mãe que se considera “moderno” sabe do que estou falando. A todo custo os adultos tentam penetrar no universo jovem dos filhos e geralmente tentam interagir por meio da linguagem, mas ao contrário dos filhos que usam gírias atuais, os pais usam as gírias de seu tempo. 

Um pai ou mãe que viveu sua juventude na década de 70 por exemplo deve ter usado gírias como: e ai bicho (amigo camarada), tudo jóia (tudo bem)? Que eram compreendidas por outros jovens sem nenhum problema, mas que ficam deslocadas quando são faladas no meio de jovens de hoje. 

A gíria é um meio de expressão oral e informal, que pode ser de grupo ou comum. A gíria de grupo é um vocabulário particular de grupos sociais restritos (Preti, 2004), ou seja, é algo exclusivo de um grupo de indivíduos que tem em comum serem jovens ou skatistas ou patricinhas ou qualquer outro grupo social.

 Esses grupos específicos determinam um uso diferente para determinadas palavras e as vezes somente os que participam desse grupo conseguem entender, excluindo outros indivíduos da participação. 

Já a gíria comum é quando pelo contato dos grupos restritos com o restante da sociedade a linguagem desses grupos se divulga e se espalha começando a fazer parte do vocabulário popular (Preti, 2004), ou seja, quando a gíria de um grupo acaba incorporada a fala de pessoas que não fazem parte do grupo. 

Como exemplo a situação seguinte, ao ver uma garota bonita passando os fankeiros poderiam chamá-la de tchutchuca, os skatistas poderiam dizer mina, um pai que foi jovem na década de 80 diria gatinha e o avô que foi jovem na década de 40 poderia dizer brotinho. 

Os dois primeiros exemplos, tchutchuca e mina são gírias de grupo, pois pertencem a indivíduos de um mesmo grupo social, os fankeiros e os skatistas. Já os dois últimos exemplos, gatinha e brotinho, são exemplos de gíria comum, pois eram usados pelos jovens em geral nas décadas de 80 e de 40 e não só por um grupo especifico de jovens. 

A gíria é um fenômeno lingüístico que já acontece há muito tempo, provavelmente sempre que houve linguagem houve também uma maneira diferente de cada um fazer uso dessa linguagem, mas que só agora esse fenômeno começa a ser compreendido com os estudos lingüísticos que vem se dedicando a entender melhor as gírias e como elas são utilizadas. 

Ao contrário do que os pais, professores e puristas da língua afirmam a gíria não é “linguagem de malandro”, é a identificação cultural dos grupos e das pessoas e mostra como a língua é viva e se renova criando as mais variadas formas para que as pessoas possam se expressar.

Não se prega aqui que todos parem de falar a língua culta e comecem a sair por ai falando gírias, pois a gíria é unicamente expressão oral informal e só como tal deve ser usada. 

Quando exigida pela situação, por exemplo uma entrevista de emprego ou uma apresentação formal, a língua culta deve ser usada, porém não há mal nenhum em se utilizar de gírias numa conversa informal num bar, num shopping ou em casa. 

A função da gíria na linguagem é facilitar a comunicação, tornando-a mais dinâmica, simples, ousada e direta, criando entre os falantes um elo de interação e identificação. 

Por causa desse “papel social” da gíria é que ela se renova tanto e com tantas variações, pois precisa estar sempre atendendo as necessidades dos falantes da época, sendo descartada assim que deixa de cumprir sua função facilitadora da comunicação. 









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