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sábado, dezembro 17, 2011

O ESTUDO DA SAÚDE-DOENÇA E A RELAÇÃO COM O PROCESSO DE TRABALHO

= SAÚDE-DIREITOS







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Rede de Divulgação



CONSIDERAÇÕES FINAIS AOS TRABALHADORES
Para compreender a abordagem de determinadas formas de adoecimento, é preciso contextualizar seu surgimento. As LER/DORT são características de sociedades industrializadas, que submetem os trabalhadores a condições e ambientes inadequados de trabalho.
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No Brasil, o processo de industrialização ocorreu tardiamente, se conformando num país de economia periférica, onde os efeitos do processo de acumulação flexível aparecem distintos e contraditórios em relação aos países centrais. Nestes, os impactos advindos desse processo, não tem sido tão perversos, pois os direitos sociais e trabalhistas já estavam institucionalizados.
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Numa sociedade excludente, como a brasileira, que apresenta uma grave crise econômica e social, marcada por baixos salários e concentração de renda, onde os direitos sociais não são exercidos, este conjunto de situações manifesta-se de imediato, na vida e na saúde dos trabalhadores, gerando processos de adoecimento.
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Para a compreensão do adoecimento nos processos de produção é preciso ressaltar que a doença sempre foi uma preocupação do Estado e da sociedade, desde sua etapa mercantilista à industrialização, tendo em vista o controle de quaisquer processos que dificultassem o crescimento econômico. Haja visto, o surgimento da Medicina do Trabalho e da Saúde Ocupacional como explicitamos anteriormente. Contudo, percebe-se que a preocupação não se centrava na saúde do trabalhador de uma forma ampliada, mas sim na sua recuperação para o processo produtivo.
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A partir das décadas de 80 e 90, com as novas formas de organização do trabalho, quais sejam, o toyotismo e a acumulação flexível que se constituem numa etapa avançada de exploração do trabalhador, agravam-se as condições de vida e saúde dos trabalhadores. Na medida em que aumenta o uso da mão-de-obra em tempo parcial, temporário, ou subcontratado, diminuem-se os salários, aumenta-se o desemprego, sendo as questões referentes à saúde do trabalhador minimizadas.
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Diante da atual conjuntura sócio-econômica que privilegia o desenvolvimento de exploração da força de trabalho, os trabalhadores tentam se manter no mercado de trabalho, ainda que para que isso tenham que se submeter a serviços precarizados, tanto em relação às condições de trabalho, quanto à perda dos direitos sociais, o que favorece efetivamente o processo de adoecimento.
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A qualidade de vida e a saúde da população é marcada por todo esse processo de reestruturação produtiva e flexibilização das relações de trabalho, que intensificam o desgaste dos trabalhadores. A introdução de novas formas de gestão da força do trabalho imprime a necessidade da qualidade no produto e aumenta a produtividade, ocasionando riscos e agravos à saúde do trabalhador, tais como as LER /DORT que têm apresentado um crescimento acentuado nas estatísticas do INSS e Serviços de Saúde do Trabalhador.
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Deste modo, entendendo as LER/DORT, a partir do enfoque da produção da doença no contexto da organização do trabalho, buscamos realizar o estudo acerca da abordagem da doença no CRST/ES, pelo fato deste representar uma porta de entrada dos trabalhadores com queixas de doenças relacionadas ao trabalho, dentro do sistema público de saúde, se constituindo numa fonte de dados considerável sobre a abordagem de LER/DORT no Estado.
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Os dados que obtivemos no levantamento quantitativo da pesquisa, nos permitem perceber a magnitude do problema a ser enfrentado na atual conjuntura. Apesar de não representarem dados de incidência ou prevalência na população trabalhadora do Estado, mostram uma situação cada vez mais agravante do quadro de LER/DORT.
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Os dados do SIAMAB/99, além de demonstrarem o perfil dos usuários portadores de LER/DORT no CRST/ES, informando a relevância da doença no mesmo, apontam também, que o Sistema de Informações está estruturado no quantitativo de atendimentos, não apresentando uma relação com as ações de vigilância e educação em saúde decorrentes destes. Revela-se assim, não só, uma dificuldade de articulação das vertentes de atuação, como à necessidade de uma atuação na perspectiva de prevenção.
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Mesmo porque é possível deduzir, que essa procura de atendimento dos usuários com queixas de LER/DORT no Centro de Referência, pode estar associada à dificuldade de conviver com a doença cotidianamente, buscando a única saída acessível, que compreende o tratamento e a assistência proporcionada pelo Centro.
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Ao nos reportarmos ao grupo de discussões, percebemos nas falas das participantes que o Centro é entendido como um espaço de apoio, solidariedade, e que as atividades possibilitam, informações e a busca de saídas para o problema, porém, a dificuldade de realização de atividades integradas, impede que este tipo de discussão perpasse todas as vertentes de atuação do Centro e que favoreça meios ao usuário de se situar enquanto um sujeito capaz de mudanças, para uma melhor qualidade de vida e trabalho.
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Desta maneira, ao chegar ao final deste trabalho, entendemos que grande parte do olhar e do intervir na questão das LER/DORT é fortemente influenciada pelo modelo biologicista, conforme a própria legislação que regulamenta o nexo da doença, diagnóstico e tratamento. Sabemos que o olhar e o intervir em maior ou menor grau acabam sendo reproduzido nos CRST’s. Deste modo, constatamos que esta temática não se esgota nesta pesquisa, não sendo esta também nossa pretensão. Entendemos que existem lacunas que poderão ser preenchidas em estudos posteriores.
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Assim, acreditamos que as principais contribuições desta pesquisa para o CRST/ES, consistem: no desvelar das diferentes leituras e abordagens em relação às LER/DORT e o contexto onde se inserem, apontando para a necessidade de superação do olhar fragmentado da doença, buscando incorporar a organização do trabalho nas ações de atenção à saúde do trabalhador; na necessidade de avançar nas ações de promoção e prevenção à saúde do trabalhador, procurando uma intervenção concreta na relação saúde/trabalho, através de ações de vigilância e educação em saúde.
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Para encerrar estas considerações, conforme o observado e os depoimentos demonstraram a uniformidade da assistência aos portadores de LER/DORT é um desafio, assim como, a intervenção ativa nos ambientes de trabalho visando a prevenção da saúde e a readaptação social dos trabalhadores.
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Os depoimentos sugerem que existem limites nas ações desenvolvidas no CRST/ES que necessitam ser discutidos pelos profissionais. Temos entendimento que a limitação maior está dada pela ausência de ações de promoção e prevenção da saúde - uma atuação anterior à instalação da doença. As ações de Vigilância em Saúde do Trabalhador, precisam ser fortalecidas através do envolvimento dos profissionais e da realização de parcerias com sindicatos e instituições relacionadas à área, buscando à prevenção e promoção da saúde do trabalhador.
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A Vigilância em Saúde do Trabalhador calcada na ergonomia e na psicodinâmica principalmente permite entender o processo de culpabilização apontado nos depoimentos, compreendendo como os trabalhadores se auto- aceleram, como se submetem às pressões da organização do trabalho. Sabe-se que o trabalho exige das pessoas e estas por sua vez, enfrentam sofrimentos e medos cotidianamente para permanecerem no mesmo. A precarização do trabalho acarreta efeitos na saúde do trabalhador, aumentando o seu sofrimento.
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A "culpa" mencionada pode significar uma forma de percepção da participação do trabalhador no processo de adoecimento no trabalho. Isto nos leva a pensar que a Psicodinâmica do Trabalho parece central para contribuir no sentido da produção de estratégias de defesa. Outra questão importante para a atuação da vigilância, seria a utilização de instrumentos para o levantamento das condições de trabalho na empresa, significando um fato importante para à melhoria das condições e organização do trabalho.
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Enfim, temos clareza que o fio condutor da prática em Saúde do Trabalhador, é a superação da atuação fragmentada e direcionada para a assistência buscando a construção de ações voltadas para a prevenção e promoção da saúde, intervindo nas causas e conseqüências dos fatores desencadeantes das LER/DORT. Sabemos que construir a unidade a partir da diversidade, é um desafio que precisamos enfrentar. Entender a diversidade de saberes que permeiam a prática institucional no CRST/ES é necessário para que se construa um novo pensar e um novo agir em Saúde do Trabalhador.
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MINISTÉRIO DA SAÚDE – FIOCRUZ – FUNDAÇÃO OSWALDO CRUZ
Escola Nacional de Saúde Pública. Orientador: Carlos Machado de Freitas Texto: Regina Márcia Rangel de Oliveira "A abordagem das lesões por esforços repetitivos/distúrbios osteomoleculares relacionados ao trabalho - LER/DORT no Centro de Referência em Saúde do Trabalhador do Espírito Santo - CRST/ES".










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Ministério da Saúde - FIOCRUZ

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