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LEIA A BÍBLIA

terça-feira, outubro 12, 2010

A IMPORTÂNCIA DE FAZER O QUE É BOM

EDIFICAÇÃO
Primeira Parte.
Uma exposição da Carta de Paulo a Tito
Texto com linguagem simples, ao alcance de todos.
Por Rev. Cleuso Rodrigues Nogueira
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Fiel é esta palavra, e quero que, no tocante a estas coisas, faças afirmação, confiadamente, para que os que têm crido em Deus sejam solícitos na prática de boas obras. Estas coisas são excelentes e proveitosas aos homens. Tt 3:8
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Dileto leitor.

A necessidade do despertamento de ministérios por excelência na igreja do Senhor Jesus, hoje em dia, tem sido uma grande realidade a ser encarada por aqueles a quem Deus lhes tem dado a consciência e a sensibilidade para entenderem a Importância de Fazer o Que é Bom.

Uma série de estudos expositivos da carta do apóstolo Paulo ao seu amado filho na fé, Tito, nos desperta para a realidade que devemos enfrentar, para que nossas igrejas tenham melhor postura diante da sociedade em que se encontram.

A série de mensagens expositivas, aqui proposta, está sendo aplicada em seguência nos estudos bíblicos, às sexta feiras e nos cultos vespertinos dominicais da Igreja Presbiteriana Central de Ibirité. Passo a postá-la para leitores internautas, com o objetivo de despertar crentes, em qualquer que seja a sua área atuação em sua igreja, levando-os ao profundo desejo de fazerem, para a glória de Deus, o que é bom.

Aos doutos, solicito compreensão e paciência. Não viso, nesta série de estudos, uma exploração exegética acadêmica. Viso, sim, na qualidade de despenseiro, procurando manejar bem a palavra da verdade, envidar esforços para colocar à disposição dos membros da igreja e dos leitores internautas, uma porção apropriada do conteúdo oculto da palavra de Deus contida em Tito, trazido a lume através das reflexões aqui procedidas.

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Oremos para que o grande mistério contido na palavra revelada pelo Espírito Santo a Tito, por intermédio do virtuoso apóstolo Paulo, venha com clareza aos nossos corações para que aprendamos A Importância de Fazer o Que é Bom.

Desejo, que Deus aplique aos seu coração o conteúdo que você, aqui, possam extrair.

Rev. Cleuso Nogueira
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I - INTRODUÇÃO A TITO

Então, comecemos o labor pelo edificante compêndio a que me proponho realizar.

Ore para que Deus, em sua infinita graça e misericórdia, mais uma vez, abra a porta dos nossos corações, dando-nos a sensibilidade necessária para a compreensão dos estudos a seguir. A esta sensibilidade, chamá-la-emos de iluminação.

Vamos, inicialmente, a um breve estudo da introdução à Carta de Paulo a Tito, visando um conhecimento prévio do contexto em que o grande servo do senhor, inspirado pelo Espírito Santo, escreveu palavras de sabedoria, aplicáveis ao ministério do pastor das igrejas da Ilha de Creta, ensinos plenamente aplicáveis aos trabalhadores em diversas áreas de nossas igrejas, hoje também.
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1 – Autoria, Data e Proveniência
Não temos dúvidas a respeito da autoria da preclara epístola, pois, o apóstolo Paulo em Tt 1:1 a reivindica para si.
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Quando Paulo escreveu a sua carta a Tito, Entre os anos 62 – 64 d. C, da Macedônia, pelo que percebemos em Tt 3:12 , estava ainda na sua quarta viagem missionária. Antes, Paulo e Tito estiveram envolvidos em atividades missionárias em Creta. Quando Paulo partiu, deixou Tito na ilha para concluir a implantação de suas igrejas.
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2 – Destinatário.
Não nos restam dúvidas de que Tito, a quem o apóstolo Paulo escreveu o texto em análise foi mesmo um de seus fieis filhos na fé, amigo e companheiro.

Devemos conhecer o autor e o destinatário de uma epístola pelo fato de que a epístola, em si, tem um pouco a haver tanto com o autor, quanto ao destinatário. Afinal de contas não conhecemos uma pessoa se não conhecermos a raiz da sua origem.

Pouco se conhece de Tito. O seu nome não é mencionado no Livro de Atos dos Apóstolos. O que dele somos informados é o que Paulo relata em algumas de suas cartas. Por exemplo, Paulo o levou a Jerusalém, no início de sua obra missionária, conforme registra em Gl 2: 1-3. Era um cristão gentio convertido ao cristianismo, provavelmente através das pregações do apóstolo Paulo e que se tornou seu companheiro na segunda, terceira e parte da quarta viagens missionárias.

Tito tornou-se um companheiro confiável, com quem Paulo podia contar diante das situações delicadas em seu árduo ministério, tais como as encontradas em II Co 2:13 ; 7:13-14 ; 8:6, 16 , 23 . Tornou-se o representante de Paulo na Ilha de Creta, pelo que verificamos em Tt 1:5 com o propósito de terminar a implantação das igrejas naquela ilha, colocasse em ordem as coisas restantes e constituísse presbíteros em cada cidade.
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3 - Propósitos da Carta
Os propósitos que Paulo tinha em mente quando escreveu a Tito era de encorajá-lo a completar o seu ministério; credenciá-lo como seu representante legal junto aos cretenses, para estabilizar a vida das igrejas e em cada cidade instituir presbíteros. Tito deveria tratar com os falsos mestres que estavam presentes e dar aos cristãos cretenses instruções concernentes à conduta adequada.

4 - Aplicação
Para você, internauta, acostumado a textos de curta extensão, pode ser maçante passar por esses passos até aqui. Mas eles são necessários para que sintonizemos com o contexto no qual a Carta de Paulo a Tito foi escrita. Afinal de contas um garimpeiro não pode levar para a sua casa um precioso diamante sem antes remover o cascalho em que a pedra preciosa se encontra.

A história nos auxiliou na elucidação do contexto em que a Carta de Tito fora escrita. A partir daqui, contaremos com o auxílio da Teologia , da Filosofia , da Exegese Bíblica , da Sociologia e da Hermenêutica Bíblica, se for o caso, para extrairmos o conteúdo oculto contido no texto dos próximos assuntos que abordarei. O próximo passo será o primeiro estudo bíblico, no qual trataremos da seguinte questão:

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II - O QUE É BOM DEVE SER FEITO COM
DEDICAÇÃO. Tito 1:1.
Muito se tem dito, hoje em dia, a respeito da qualidade dos produtos e serviços. Fala-se em controle da qualidade total; ISSO, para certificação de produtos e serviços; IMETRO, para a autenticação de produtos confiáveis. Coisas da posmodernidade. Diante de tais métodos desenvolvidos para melhorar a qualidade de vida de nossos cidadãos, ficamos pasmados pelos métodos, meios e dinâmicas, ainda arcaicos e retrógrados pelos quais a mensagem do reino é propagada. Isso sem se falar do comportamento ridículo de muitos de nossos irmãos no desenvolvimento de seus trabalhos em suas igrejas, relachadamente.

Uma luz envolvente aparece no fim do túnel do descaso quando nos deparamos com os ensinamentos do Apóstolo Paulo, contidos em sua epístola a Tito. No primeiro Capítulo, verso primeiro da insigne epístola o apóstolo aos gentios se posiciona, para quebrar a desordem na igreja do Senhor Jesus com as seguintes palavras: Paulo, servo de Deus e apóstolo de Jesus Cristo, para promover a fé que é dos eleitos de Deus e o pleno conhecimento da verdade segundo a piedade,... Tt 1:1. Do texto, aqui recorrido, destaquemos a seguintes expressões;


1 – A Dedicação Aplicada Em Fazer O Quem É Bom
Paulo, servo de Deus e apóstolo de Jesus Cristo...
Se nos empenharmos no entendimento das palavras, aqui articuladas pelo Espírito Santo, Ele nos trará à lume o conteúdo oculto por detrás de uma frase lida com superficialidade pelos leitores da bíblia, mas portadora de ensinamentos preciosíssimos. Devemos, então, fazer o desdobramento da frase, sem nos esquecermos, contudo, o que nos ensina o próprio apóstolo Paulo em II Tm 2:15. Procura apresentar-te a Deus aprovado, como obreiro que não tem de que se envergonhar, que maneja bem a palavra da verdade. A palavra manejar, aqui, usada pelo autor das cartas pastorais no original é orthotomõunta, do verbo orthotoméõ, que literalmente significa cortar reto. Também o verbo em apreço pode ser vertido para o português como guiar por uma estreada reta. O modo verbal encontrado originalmente é o particípio no sentido imperativo ativo para expressar uma ordem de ação constante. Assim, o manejar bem a palavra da verdade significa estar sempre fazendo seleção da Palavra para a aplicação, sem prejuízos das expressões destacadas dentro do contexto em que elas se encontram ou sempre guiando por uma estrada reta.

Então vamos, na dependência do Espírito Santo, cortar reto ou guiarmos pela confortante e edificante estrada reta da palavra da verdade.

1.1 – A Dedicação É Própria do Servo
A palavra, servo, entra em evidência na argumentação deste ponto através da frase anterior, desdobrada, Paulo servo de Deus. A palavra, servo, no original em que a carta foi escrita, Grego Coiné, idioma da cultura helenística entre os anos 300 a. C a 500 d.C, língua na qual o Novo testamento foi escrito, é doulos, traduzida literalmente por escravo. O vocábulo era utilizado paradesignar alguém comprado como uma propriedade alheia; sem vontade própria, sujeito totalmente á vontade do seu senhor. O entendimento que temos da expressão, Paulo servo de Deus é, Paulo escravo de Deus. Há um princípio exegético que nos diz que a bíblia é viva por isso fala por si própria. Existem, também, outras maneiras de elucidarmos as questões encontradas nos textos em análise. Podemos usar evidências externas, tais como comentários, obras de cunho teológico e outros. Entretanto, o cruzamento de textos onde os vocábulos considerados são encontrados é a fonte de maior exatidão exegética. Vejamos que encontramos nos textos bíblicos seguintes, através de doulos. Em Rm 1:1,
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Paulo qualifica a si próprio como servo de Cristo. Paulo, servo de Jesus Cristo,... Em Rm 6:16, como submetido a todo o propósito de Deus. Não sabeis que daquele a quem vos ofereceis como servos para obediência, desse mesmo a quem obedeceis sois servos, seja do pecado para a morte ou da obediência para a justiça? Em II Co 4:4 ele nos diz que esta submissão é por amor. Porque não nos pregamos a nós mesmos, mas a Cristo Jesus como Senhor e a nós mesmos como vossos servos, por amor de Jesus.
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O apóstolo Pedro, em seu fervoroso discurso no templo, alegou que a cura miraculosa do coxo que esmolava junto à Porta Formosa não se deu em seu próprio poder e o de João. Declarou que a cura se deu no poder de Jesus, ressurreto, qualificando-o como servo de Deus, em At 3:26. Tendo Deus ressuscitado o seu Servo, enviou-o primeiramente a vós outros para vos abençoar, no sentido de que cada um se aparte das suas perversidades. A palavra, aqui, traduzida por servo não é doulos; é paîda. Este vocábulo é um caso acusativo masculino singular do substantivo paîs. É utilizado para a conotação de um escravo ou filho, diminuído à condição de uma criança. Esta condição, no texto acima encontrada, é o que teologicamente chamamos de estado de humilhação de Cristo, descrito pelo apóstolo Paulo, em Fp 2: 3 – 8.
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Nada façais por partidarismo ou vanglória, mas por humildade, considerando cada um os outros superiores a si mesmo. Não tenha cada um em vista o que é propriamente seu, senão também cada qual o que é dos outros. Tende em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus, pois ele, subsistindo em forma de Deus, não julgou como usurpação o ser igual a Deus; antes, a si mesmo se esvaziou, assumindo a forma de servo, tornando-se em semelhança de homens; e, reconhecido em figura humana, a si mesmo se humilhou, tornando-se obediente até à morte e morte de cruz.
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Encontrar Jesus, na bíblia, subjugado à condição de um escravo, realmente, seria uma aberração teológica, pois, a própria Bíblia relata que Ele é Rei dos reis e Senhor dos senhores. Contudo, há a posição teológica que nos garante, através de uma junção entre a Sotereologia e a Cristologia, uma afirmação segura quanto à condição de Jesus como servo. Ele não se tornou servo por aquisição ou por imposição alguma. Ele tornou-se servo por vontade própria.

Na contabilidade celestial havia contra nós um escrito de divida cujo montante era tão alto que nós não o poderíamos pagar. Embora déssemos a nossa própria vida em prol do resgate de tais dívidas, o nosso sangue não teria nenhum valor para o resgate em questão. A natureza de nossa alta divida para com Deus é constituída pelos nossos pecados que é qualquer falta de conformidade com a Lei de Deus, ou a transgressão de qualquer lei por Ele dada como regra à criatura racional . Se somos transgressores contra Deus, não podemos pagar as nossas dívidas, estávamos, então, condenados à morte eterna, ao inferno tão vil. Jesus se propôs a resgatar a nossa dívida, para que fôssemos salvos. ... tendo cancelado o escrito de dívida, que era contra nós e que constava de ordenanças, o qual nos era prejudicial, removeu-o inteiramente, encravando-o na cruz;...Cl 2: 14

O eterno Filho de Deus, assentido pelo conselho da Trindade propôs-se a morrer pelos pecados dos eternos eleitos do Pai. Para que a nossa redenção fosse possível, Jesus submeteu-se ao Pai em perfeita obediência, para que em sua dolorosa morte sacrificial, a justiça divina fosse plenamente satisfeita, morrendo, como o cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo. A satisfação plena da justiça divina se deu pela expiação dos nossos pecados, e, para que a expiação se tornasse na grande realidade teológica que encontramos na Bíblia, Jesus nos substituiu na morte, tornando o nosso representante na redenção, ao morrer no nosso lugar, pagando a dívida imposta pela sentença de eterna condenação que dobre nós recaiu, em conseqüência de nossa natureza pecaminosa.

Para a realização do sacrifício expiatório e vicário, Jesus esvaziou-se de sua glória para vir a esse mundo tenebroso, encarnado na condição humana, para ser o servo sofredor descrito pelo profeta Isaias, em Is 53:1-12. Quem creu em nossa pregação? E a quem foi revelado o braço do SENHOR? Porque foi subindo como renovo perante ele e como raiz de uma terra seca; não tinha aparência nem formosura; olhamo-lo, mas nenhuma beleza havia que nos agradasse. Era desprezado e o mais rejeitado entre os homens; homem de dores e que sabe o que é padecer; e, como um de quem os homens escondem o rosto, era desprezado, e dele não fizemos caso. Certamente, ele tomou sobre si as nossas enfermidades e as nossas dores levou sobre si; e nós o reputávamos por aflito, ferido de Deus e oprimido. Mas ele foi traspassado pelas nossas transgressões e moído pelas nossas iniqüidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas pisaduras fomos sarados. Todos nós andávamos desgarrados como ovelhas; cada um se desviava pelo caminho, mas o SENHOR fez cair sobre ele a iniqüidade de nós todos.
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Ele foi oprimido e humilhado, mas não abriu a boca; como cordeiro foi levado ao matadouro; e, como ovelha muda perante os seus tosquiadores, ele não abriu a boca. Por juízo opressor foi arrebatado, e de sua linhagem, quem dela cogitou? Porquanto foi cortado da terra dos viventes; por causa da transgressão do meu povo, foi ele ferido. Designaram-lhe a sepultura com os perversos, mas com o rico esteve na sua morte, posto que nunca fez injustiça, nem dolo algum se achou em sua boca. Todavia, ao SENHOR agradou moê-lo, fazendo-o enfermar; quando der ele a sua alma como oferta pelo pecado, verá a sua posteridade e prolongará os seus dias; e a vontade do SENHOR prosperará nas suas mãos.
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Ele verá o fruto do penoso trabalho de sua alma e ficará satisfeito; o meu Servo, o Justo, com o seu conhecimento, justificará a muitos, porque as iniqüidades deles levará sobre si. Por isso, eu lhe darei muitos como a sua parte, e com os poderosos repartirá ele o despojo, porquanto derramou a sua alma na morte; foi contado com os transgressores; contudo, levou sobre si o pecado de muitos e pelos transgressores intercedeu.

CONTINUA.












Igreja Presbiteriana do Brasil
Por Rev. Cleuso Rodrigues Nogueira
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